sexta-feira, 16 de julho de 2010

Naquele ponto de ônibus

E lá estavam eles, ela uma garota tímida de 15 anos, longos cabelos lisos e escuros, grandes olhos verdes e um jeito engraçadinho. Ele um garoto extrovertido de 16 anos, cabelos castanhos e desgrenhados, um sorriso mais que encantador e sempre com uma piadinha na ponta da língua. Os dois sentados num banco do ponto de ônibus, fazia frio e ele segurava as mãos dela para aquecê-las, já que ela havia esquecido as luvas em cima de sua mesinha de cabeceira. Não, eles não eram namorados, mas sim apenas amigos, bons amigos. É claro que se alguém passasse pela rua e os visse, logo pensaria: “Amigos? Não, é impossível, olhe só para eles!”, mas basta ficar observando eles, assim como eu fiz, para notar que apesar do jeito como seus olhares se cruzavam, eles não passavam de amigos. Eles não eram melhores amigos, e acho que nunca se consideram tanto, porém eles sempre tentavam se ajudar, se aconselhar. Ela sempre dava um jeito de arrumar namoradinhas pra ele, e ele arrumava namoradinhos para ela. No entanto, agora os dois não se interessavam por mais ninguém, por mais que um tentasse ajudar o outro a não ficar sozinho, ninguém parecia agradá-los. Então ultimamente eles vinham passando algum tempo juntos, não propositalmente, mas simplesmente porque sempre que saiam para caminhar e pensar na vida, eles se encontravam e ficavam horas a fio conversando. E neste dia ela resolvera caminhar em outras ruas, respirar ares diferentes, então pegou um ônibus e foi dar uma volta perto da casa dele, na verdade ela estava mesmo querendo encontrar com ele, realmente queria um abraço dele, um sorriso dele, só dele. Não adiantava mais conversar com seu melhor amigo, nem com sua melhor amiga, nem com seu irmão, nem com seu pai, ninguém parecia completá-la e entendê-la totalmente, só ele. Então logo que desceu do ônibus deparou-se com ele no ponto de ônibus, ele estava exatamente esperando que o ônibus viesse para que ele pudesse ir até a casa dela, conversar. Quando se viram os dois abriram um sorriso imediatamente, o abraço de cumprimento não foi imediato, e quando aconteceu foi como sempre, meio sem graça e meio de lado, porém ela adorava aquelas bochechas quentes dele que tocavam seu rosto no abraço e ele amava o jeito como seus olhos piscavam devagar quando ele a fitava de perto. Ficaram tão distraídos que nem caminharam até um lugar quente ou aconchegante, ficaram ali sentados no ponto de ônibus, desabrigos e não se importando nenhum um pouco com o vento congelante e nem com a garoa fina que caía, e as horas se passaram voando. O tempo frio fez com que a noite se antecipasse, e logo ela precisava entrar em algum ônibus e ir para casa, ele ficou e esperou com ela. Risadas, sorrisos, olhares, piadas e ela não queria ir embora, então recostou sua cabeça sobre o ombro dele e suspirou, ele passou a mão nos lisos cabelos dela e isso fez com que ela sentisse um arrepio, os dois envergonhados com isso riram. O ônibus dobrou a esquina e ela levantou-se, sorriu olhando para baixo e ele sacudiu a cabeça de um jeito engraçado. Eles disseram-se ‘tchau’ e se abraçaram daquele mesmo jeito sem graça e meio de lado. Ao sentar-se no banco do ônibus, ela sorriu. No final das contas, não havia acontecido nada demais, não teve beijo no canto da boca na despedida, nem abraço caloroso e nem mesmo uma declaração inesperada, mas ela sabia que um dia, eles ainda acabariam juntos como um casal.

Um comentário:

Victória Frainer disse...

Lindo demais carol '-'

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